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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Limpeza e Solidão


Esquecer o próprio ego, transformá-lo, deixar para traz, e assim se abrir para a realidade do mundo.

Quem olha para dentro de si, olha para dentro de si.

"Porque o riso nos libera de uma energia supérflua, que, se ficasse inutilizada poderia tornar-se negativa, isto é, toxica. Temos sempre em nos forte dose dessa substância toxica. O riso é seu antídoto. Mas este antídoto só é necessário enquanto somos incapazes de empregar toda nossa energia num trabalho útil. Foi dito que Cristo nunca ria. E, com efeito, nunca encontrarão nos Evangelhos a menos alusão ao fato de cristo ter rido sequer uma vez. mas há diferentes maneiras de nao rir. Alguns nunca riem porque estão completamente submersos por suas energias negativas. Compreendam bem isto: nos centros superiores não há divisão, não existe sim  nem  não. (Georgiǐ Ivanovič G.)

Filme: https://www.youtube.com/watch?v=f9JnzGEDJd4
Livro: Ouspensky. Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido.

O momento de contemplar a si mesmo é quando o caminhar perde o sentido. Não existe objetivo em vida alguma, existe o caminhar para a vida. Neste processo cumpre seguir.
Quando há tristeza, há emoção. Se cansar desta emoção, abandone esta tristeza. Quando te tirarem a tristeza, pense bem, pois tiram uma emoção que é fundamental para a vida. Então, não convém acostumar com passarinhos, nem prender gato dentro de casa, como já disse alguém um dia.

Aos 24/12/2018.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

La Luna en el Laberinto

La Luna en el Laberinto

Pleno Octubre

Poco a poco y también mucho a mucho
me sucedió la vida
y qué insignificante es este asunto:
estas venas llevaron
sangre mia que pocas veces vi,
respiré el aire de tantas regiones
sin guardarme una muestra de ninguno
y a fin de cuentas ya lo saben todos:
nadie se lleva nada de su haber
y la vida fue un préstamo de huesos.
Lo bello fue aprender a no saciarse
de la tristeza ni de la alegría,
esperar el tal vez de una última gota,
pedir más a la miei y a las tinieblas.

Tal vez fui castigado:
tal vez fui condenado a ser feliz.
Quede constancia aquí de que ninguno
pasó cerca de mi sin compartirme.
Y que metí la cuchara hasta el codo
en una adversidad que no era mía,
en el padecimiento de los otros.
No se trató de palma o de partido
sino de poça cosa: no poder
vivir ni respirar con esa sombra,
con esa sombra de otros como torres,
como árboles amargos que lo entierran,
como golpes de piedra en las rodillas.

Tu propia herida se cura con llanto,
tu propia herida se cura con canto,
pero en tu misma puerta se desangra
la viuda, el indio, el pobre, el pescador,
y el hijo del minero no conoce
a su padre entre tantas quemaduras.

Muy bien, pero mi oficio
fue
la plenitud del alma:
un ay del goce que te corta el aire,
un suspiro de planta derribada
o lo cuantitativo de la acción.

Me gustaba crecer con la mañana,
esponjarme en el sol, a plena dicha
de sol, de sal, de luz marina y ola,
y en ese desarrollo de la espuma
fundó mi corazón su movimiento:
crecer con el profundo paroxismo
y morir derramándose en la arena.

 Memorial de La Isla Negra (Pablo N)

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A rede doméstica da internet (world wide web) e a pobreza de Sião

A Rede é como a Vida, Ela nos hidrata...

terça-feira, 11 de junho de 2013

Coisas da vida II

Passado tudo a ferro quente,
A defesa do rabo dos costumes dos bons idiotas
chegou em mim
a censura, censurou o pastor, é supositório legal!
Enfiem-na, ou sofram (exclamou).

E vi cair um castelo de cartas
do qual não sou valete
mui menos rei ou coringa
do qual não sou vedete
mui menos corvo em catinga!

(Ato de censura imposto unilateralmente por "eles - aleluia" ao Paulo Leminski, aos 11/06/2013)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

"Tapera Vaga de Alma: O dia em que"

Há dias em que estamos brabos.
E dias em que somos de paz.
Pois na cidade sempre se está reprimido.
Vulto de natureza, amontoado de gente.
O feio,
A cidade é.

Sobretudo tem dias em que guardamos
Dias em que choramos
Dias em que tomamos
E mesmo retardamos
e dias em que x-amos etc, e tal.

Mas é com sobrosso que se teima epitáfio,
Com cisma que cisterna água fria porém rara.
Dias em que jagunço passa cabisbaixo por perto
Que repentista sai fugido
Que rei brabo e imperador de Roma
Fazem parecer pecado suas ingenuidades.

Se nego sente perigo em si mesmo, féde longe.
Cidade vira blackout e lavadeira foge do rio
Monge deita unguento na liteira
E tacho chamusca no facho

Hoje cuidei-me.
Fosse arbusto e tivesse que ir,
Só com punho em pólvora
Pra desalmar
Pra levar "aos mundos"
É raro usar, mas direi: violento.

Mártir em pensamento,
Sigiloso na visão.
Bugre
Arco de timbre grosso
Se Lampião pairasse por ai, deixava o purgatório pra não ter comigo.
Cuidei-me
Minto liso: meu piano me cuidou.
Quiça um dia "a" e "o" bosta assim o façam antes de titubear comigo novaurora.

Deixo de lado e entorpeço. Caso não, far-me-ei burguês, visto de longe esturjão da plebe.

11/04/2012. Tapera vaga de alma: dedico ao trabalhador do Brasil.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Queixada no mato

E EU

Que nem sou figura popular,
Nem podre,
Nem político,
Nem rei
Nem Bar.

Nem mofo de pegar em janela ou em batente de porta
Sinto uma pendência natural de almas
Que é de se ser só o ser
Que é de faltar na sociedade
Que é ser deixudo, largadão, tipo peixe de fundo

Escapado na poeira,
Nunca-visto no barro de mangue
Pouco sondado de esconde esconde
Microscopado só no lampião!
Camelo fugido de tempestade de areia.

Sinto sim,
que na rua já sou "ôooooo"
Aceno de braço,
Qualquer coisa de "ei, ei, me diz pelamordedeus um ..."
Tanta cousa que me desgusta .

que não sou nada
que sou vento
limbo passa de longe nimportância de mim
sou só um resto
e como qualquer resto,
desejo ser largado para ser.
para poder ser eu

discomplico pra gente entender:
Se você pensa que qualquer coisa, você está errado(a).
Se você pensa nada, você não esta.
Se você não pensa, você não é.
Se você é e o mato é, e passarinho é, e noutros mundos são, e lagartixa é: você é.
Só quem é passa como alma. Todo o resto passa como sei-lá... porque o que é não entende o que sei-lá.
Assim, conceito pra tudo, pré só na escola, pra lição de professora chata.

Que em minha cidade já me sinto pesado...
feito bolha de sabão sobre uma nuvem.

Preso por ter é, aquilo, eu, sei-lá, demais, portanto e mefistófeles no tacho de alma jogada no bosque.

Dedico este.

29/03/2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

Intermezzo I

O florescer das cerejeiras não estava na época.
E o poeta sorriu mesmo assim!
Discreto, em curtos tragos deixou vazar seus sonhos
Como um prelúdio, trocou rimas por ilusão.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Nada de Mim

Hoy,
Turvos rios de elementos vão de encontro a um vento.
E o vento abana toda compaixão!
Onde há um vento há sempre ameaça
E vastam longas horas, frias, mães do tempo
Ah, quem souber destes ponteiros lentos
Crivai-me em pé, prós d'uma salvação.

Hoy,
Não estoy de sons, sim de palabras turbas,
Secantes frias de meu testamento
Que andam vindo, feito irmãs do vento
Sagradas damas em meu coração
Mas quem há de ver-se em meu peito lento
Voz de suave pouso em contramão.

Hoy,
Sagrar-se triste no contar das horas
Fazer-se mosto dum eterno alento
Sugar do vento seu saber do tempo
Mostrar-se vasto em desilusão.
Mas quem de nós há de contar nas horas
Um predileto feito, a custas mãos!

Hoy,
Desiludir-me já não basta às horas
Que hão de ser-me um sagaz tormento
Num padecer destes ressentimentos
Quem amargaram meu coração.
Livres de peito, vão embora. E alma:
Sigas tranquila que há nobre paixão.

Vai-te alma, vai pastar noutro lugar porque aqui acabou a grama. E agora, Senhora das mudanças da vida: seja feliz em mais uma primavera!

"Nada de Mim" - 1 - 2 - 12 

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Manoel de Barros


Manoel de Barros é fabuloso! Por isso mesmo não vou falar da sua estética ou das qualidades imponderáveis de sua escrita, mas deter-me-ei sobre o que vale a pena: o cidadão.

domingo, 3 de julho de 2011

O Bingo Beneficente

Quando a preocupação da vida não era mais que aprender acordes...
Quando a preocupação da vida não era mais que tanger guitarras...
Descer estribeiras... partir corações...
Louquear madrugadas... alvorar ilusões...

Ah se a preocupação da vida fosse ainda a moreninha!
Quanto de fácil seria se encantar, deslumbrar...
Ancorado de barco: assim estaria tudo.

E se desse ainda pra retribuir todo amor que o todo tem me dado
Ahh...se desse pra nem se incomodar com isso.
Se o conhaque inda tivesse o véio gosto amargo,
e se imaginação pudesse brotar até o ultimo fio de cabelo

E se não fosse de chorar tanto a dita cuja da vida.
E se fosse mais de brincar, de não se importar mesmo com o des-importado
Quando a preocupação da vida era sorver amores e caricias, reclamando da que menos afagava

Hoje somente rios trazem alegria.
Peixes trazem o regozijar da vida no beiço formoso da natureza
Cutias já são tão raras... onde será que o imundo mundo lhes confinou?
Ah... e o peito doi mesmo de lembrança... mas porque será que tive que ver tanta coisa boa?
Pra pagar pelo resto da vida a dor infinita da saudade?
Me ensina a acabar com a saudade sem dar cabo da vida que meu reino não valerá nada!

Hoje me conforta o toucinho com molho...a carne de panela... o sorriso da criança...
O desafio da convivência... o assoviar no Quirirí...
Mas a música...esta tem saído do armário somente para me dar lágrimas.
É isso.

03/07/2011 - "O bingo beneficente"

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Mascate de Ramos

Tem dias que estamos mais para nada
Tem dias que a chuva não cai só do céu
Molhados lençois, versos e rimas
Sapatos usados esguicham soluços.

Uma venda nos olhos:
É o sol da manhã
Dedicar-se faz nada
É estar-se mais rã.

Capitular nas guerras que nunca lutou;
Manchar de mácula nomes que não partilhou;
Assinar desafios, mas só em pensamento;
Tornar-se de mente, moinho de vento.

Tem dias que somos o céu lá do sul
Azul sem seu brio, gelado, in blue.
Mascate de ramos, rolinhas e quero-queros
O pato sentido, do prato sem leros.

Doce demais para se degustar
Sentir a demão de tinta manchar,
Cabelos, cavalos, apelos e clãs
Um velho estradeiro, bichado a maçãs.

Tabaco tragado e um cópo de vodka!
Tinindo, tilintando, changando...

O gás já 'cabou,
O céu já raio,
Cabresto baixou,
Suspiro ecoou,
Rãzinha pulou
E o amigo dos amigos não se aperreou.

No fim do trajeto, far-me-ei em pajé
Menino de cétro, nos sóis da maré
Galgado de arvores, sandálias em pé
Trajeto incerto, sertão, sumaré
Fingido e marcheiro, posteiro da fé.

25/02/2011 - Mascate de Ramos. Este dedico ao dedicar.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Caramelos com pistache

O guri tava todo pinchado.
Cismando trapaças, beliscava feito mula no sisal
Chamusquei um pouco e fiz-me de gente (pois gente é que finge)
Danado trolava mais que português em navio negreiro.

Amarguei.

Jão Pedro me configurou de imediato.
Trocava de lado feito siri no sol quente, não tinha orlas para correr
Desocupei-o de pronto assim que me bateu a soalheira na têmpora do gafanhoto.
Caramelei feito bacalhau.


23/02/2011 - A saga de Jão Pedro, que não suportou desaprender naquela classe. Chuvou-se forte, nos adiantou, des-repreendeu e pentelhou.

Adendo ao delator consagrado

Ainda não consigo fazer na música o que faço com as palavras. As palavras não são verdadeiras, elas enganam. 


Na música sempre sou sincero.


22/02/11 - este eu desdedico.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Para o velho, o novo e as aratacas"

I
O violão já andava como uma mariposa
Que acendia e apagava ao vagalumear
Galopava desacordes
E ia-se embora.

II
Era como se um estandarte fosse todo montado na beira dum éco
O som... coisa mais linda, ficava passeando, repetindo, irritando
E gente gralhava enquanto o mato descia buscar trouxas

III
O Padre falava: "É berimbaL, é berimbal!
Papoulas ficavam desenhando o sol da mesa
E vinha pitando feito lobo corcunda
Um mosto e a equilibrista.

IV
Um rolinho de lamparinas tipo "limpa-barro" já tava no fim...
E cuiava e velhava, achava tudo fabuloso.
No cachimbo erva lavada tipo paiol na latrina suja
Mapoulas e santiagos, na beira dos carretéis.

V
E lá vinha Varmir visto moço, vulto moreno e garboso safadear com felisberta.
Pobre do ouriço que ficou sem seus CD's
Matambre de chusma, chimarrita desce-serra
Verdeava e mofava de tanto desarder

VI
Estomagou caniços repletos de sonhos ainda girinos;
Delatou ao leão duas porcas fugidas;
Sonorou o cabelo do padre na flecha do berimbau;
E se foi varmizar mato a dentro no centro da urbe.

VII
Sacrilégio, sacrilégio! Cantarolava o arquivador.
Chusma cutuca que da gente sai buraco.

E até lesma se 'divinou
De nego branco, Varmir e seus pescados.


21/02/2011 - "Para o velho, o novo e as aratacas" - dedico este ao amigo Valmir.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Brasil, meu Brasil brasileiro!

Onde estás ó meu Brasil?
Onde estás ó meu país?
Qual filho da revolta tu perdeste em vão?
Quem tragava armas, não mostra mais calos na mão?

Vandré velho vulto moreno,
Pequeno do des-saber
Encontra-te neste sereno
Quem teima em te entardecer

Somos jovens, desarmados,
Chumbo humano: desalmados!
Somos jovens, desalmados,
Pelo engano atarefados.

Neste tempo as altas horas
Surgem toda madrugada
Mas o brio do vil poeta
Deita ao chão, não faz quaradas.

O Cantante, anunciante,
Sem motivos pra cantar
Viu seu povo a qualquer hora
Triste fraco a mendigar.

Poesia: fuga das rimas,
Palhaço que tanto faz
Pra que te preocupam horas
Se tudo não se desfaz?

Cantante, vista-se logo
Não veja o sol renascer
Que vastas linhas da aurora
Te queimam ao te esconder

Povo fraco, de futilidades
Nada mais adianta morrer
Chorar e amar contigo
É o máximo que podes ter.

Por ti derramam as lágrimas
És vil o meu bem querer
Mas nada adiantam outroras
Só choram seu padecer

Chorar é o que te resta
Chorar é o que te conforta
Chorar em dias de festa
Chorar pela terra morta.


Dedico este a Geraldo Vandré

"O Processo de massificação destruiu a urbe brasileira." (Geraldo - 2010)

sábado, 27 de novembro de 2010

Aos Sons do Ar

- Música!
É minha cura,
É minha paixão,
É minha alma
E meu violão.

É um verso perdido
Sussuro temido
De um doido varrido
De sua emoção.

- Música!
Flauteada entre brumas
Doceada entre irmãos!
'Ssoviada nas turmas
Cantada c'oas mãos...

- Música!
É pouco, parece,
Vem feito uma prece,
Mas desentrestece
Qualquer coração

Verso negro cantado ao relento
Bugiu que urra inté lá de drento
Cantiga de ninar...
Ha...que delícia!

- Música!
Pena que não se faz de palavras
Porque és minha nobre amiga e amante:
MÚSICA!

sábado, 31 de julho de 2010

Poesia Branca para o Branco Poesia

Ah, eu estou tão cansado!
Cansado das rimas que não calam mais
Cansado do pobre que não vive em paz
Cansado do tabaco que não cessa em apagar
Da cana do copo de pinga que não cessa em findar

Ah, eu estou tão cansado,
Do som do arvoredo, crepitante na mente...
Das palavras turvas que não vem de gente
Do ócio abismático que a féria insiste em dar
Da falta do dispor disposição no lar

Ah, eu estou tão cansado,
E canso até da morena que insiste em labutar
Das notas: tantas claves que só vem a perturbar
De ter meu corpo elíseo, meu couro a dar com dente
Das borboletas flácidas que estão todo poente

Ah, eu estou tão cansaddo!
Escrever é um descansar do coração.
Maldita premissa que me deu teclas na mão
Somente me des-serve de cantarolar pinchando
dedos rugos, velhos, turvos, de um canavial castrando

Ah, eu estou tão cansado,
De cansar!
De ajudar,
De Rezar,
De ter lucidez,
De ser um cretino de bom coração.

domingo, 5 de abril de 2009

O Seu Segredo

Cetro dia abro meu orkut e me deparo com uma jóia poética, enviada por uma amiga. Tenho o habito de apagar os recados, mas aquele não tive coragem. Trata-se da poesia "O Seu Segredo", da excelente escritora Arabela Veloso de Morais. Pesquisando na internet pude encontrar um pouco mais sobre esta linda poetisa, e de fato me deslumbrei com a majestade de suas palavras. Arabela vive em Recife, e tem diversos trabalhos expostos na WEB. Em um dos seus perfils se lê:
"Busco a medida das coisas para medir as coisas buscadas."


Excelente Arabela, obrigado por nos agraciar com suas poesias.


O Seu Segredo

Imaginando que seduziria a moça,
O poeta lhe mostrou uma das faces.
Era a face mais bonita e mais galante
Que podia encontrar nos seus disfarces.

Mas a moça, bem esperta, já sabia
Que havia ali tal sorte de sorrisos,
Que encontrar o verdadeiro era difícil,
Pois era esse o que o poeta escondia.

Ele sorria, ela negava.
Ela sondava, ele fugia.

Pelos jardins por onde andava
Ela esperava e esperava...

Ele a seguia por onde ia
E escrevia... e escrevia...

Mas seu segredo não confessava...

Das faces muitas que ele tinha,
A mais galante não convencia.
A mais bonita era sem valia.

E foi-se a moça, sem o poeta.
E o poeta a perdeu por medo.
A face oculta era a desejada.
E o desejo... foi seu segredo.

Publicado no Recanto das Letras em 16/02/2009
Código do texto: T1442784
 

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