sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Apendendo a Faunar

Registros Fauna B Coroados 18/10/2017 - ...
Histórico Avançado

XX/XX/2018: Cobra grandona avistada (não registrado)

XX/XX/2018: Família de aves. Desconhecido. Aparecem por ali, registros verbais dos vizinhos. Registro Fotográfico: sem foto.

XX/XX/2018: Registro de Lagarto atravessando a rua. Animal aprox. 120cm, não se interessou por gente. Registro fotográfico: ok.

XX/XX/2018: Papagaio ou Periquito verde amarelo sobre a tela. Sem registro fotográfico.

01.09.2018: hora local: indo embora lá pelas 5.
--> Registro de movimentação terrestre avançada. Sentido casa --> mato. Suspeita de Saraué (confirmado in post ad ad). Registro fotográfico: ok.

14.09.2018. hora local: antes do almoço, tomando chá.
 --> Registro de avoo de Colibri vulgo Cod. Name (lê-se nâme) Beija-Flor. Registro fotográfico: em análise (parece bom).


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Peçonha

Tava cavando e veio lá de tal postura que o próprio garbo, ou a coisa tântrica tarantulenta me afastou.
Sai por instinto

Mas como escape de ouriço é espinho, cabei vortei.
Maria.
Sim Senhora
Cuidou de me cobrar até o talo!

"Só numa semana matei quatro !"
Pois dai pensei...

E costumeiramente pensei!

Daí, "poxa", ou melhor, aprendi uma expressão legal com uma amiga chamada Ana: " Ixe!" , pensei  comigo: Maria deve ter visto em mim o Espirito Santo, uma vez que acho que os animais servem-se dEle para vever

Pois Maria está errada, só lamento !
Se eu tivesse tanto do E. S. eu teria avisado as cobras que, na casas ao lado, mora uma assassina.

Dedico a Dn.a Maria, minha vizinha, que como eu, invadiu a Mata. 8 1 2018

domingo, 17 de dezembro de 2017

Cozinheiro Nacional


Há alguns anos eu peguei-me lendo sobre o Baile da Ilha Fiscal (9/11/89), e despertou-me qualquer vontade curiosa acerca do que chamava-se "banquete". Via régia, banquete deveria ser extravagancia, ostentação, luxuria e muitos outros pecados, d'onde a Gula era a anfitriã.

Como Brasil é Brasil e não é Brazil, óbvio que encontrei pouco ou quase nada na www sobre o assunto, salvo citações e dicionários. Inclusive, tal falta sobre a história nossa é lugar comum, é a praxe, resulta do besteirol acadêmico que impede que trabalho científico tenha utilidade neste país...

O Cozinheiro Nacional da Editora Garnier, ou, como se lê:

Cozinheiro Nacional ou Collecção das Melhores Receitas das Cozinhas Brasileira e Européas para a preparação de sopas, molhos, carnes, caça, peixes crustáceos, ovos, legumes, pudins, pastéis, doces de massa e conservas para sobremesa;

Acompanhado das Regras de servir a mesa e de trinchar.

Foi a melhor hipótese resultante da minha pesquisa. "Acompanhado das Regras de servir a mesa e trinchar" - Sim, é o que eu procurava !

Mas ali deparei-me com um livro único, com um manual, com um objeto histórico, com um objeto didático, um estupendo compendio de saberes da época (crê-se, idos de 188x...) que revelam alguma coisa de muito importante, pois "A vida é a alma do universo, e tudo quando vive, se alimenta". Nós humanos gastamos boa parte do dia com isso.

Verdade ou não, o Cozinheiro Nacional nos conta mais do que receitas, ele traz consigo o hábito.

Páginas recheadas de sabor, de vida, páginas cheias de ganância, receitas repletas de humildade, o peso do clima na vida do Brasil imperial, o peso da escravidão, os senhores, senhoras, senhorinhas, o moto viventi, a tradição, a compreensão da natureza...

Pois alguns anos depois (uns 7 talvez), uma boa alma disponibilizou o PDF (e sim, sei da historia de como foi recuperado o livro, de quem fez e etc e tal, quem quiser pode pesquisar que é legal também), e agora compartilho, para que nosso amor pela vida permaneça tão pleno que, quando nos faltar hoje a verdade, venha ela no futuro!


Baixar o Cozinheiro Nacional e preparar as panelas!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

La Luna en el Laberinto

La Luna en el Laberinto

Pleno Octubre

Poco a poco y también mucho a mucho
me sucedió la vida
y qué insignificante es este asunto:
estas venas llevaron
sangre mia que pocas veces vi,
respiré el aire de tantas regiones
sin guardarme una muestra de ninguno
y a fin de cuentas ya lo saben todos:
nadie se lleva nada de su haber
y la vida fue un préstamo de huesos.
Lo bello fue aprender a no saciarse
de la tristeza ni de la alegría,
esperar el tal vez de una última gota,
pedir más a la miei y a las tinieblas.

Tal vez fui castigado:
tal vez fui condenado a ser feliz.
Quede constancia aquí de que ninguno
pasó cerca de mi sin compartirme.
Y que metí la cuchara hasta el codo
en una adversidad que no era mía,
en el padecimiento de los otros.
No se trató de palma o de partido
sino de poça cosa: no poder
vivir ni respirar con esa sombra,
con esa sombra de otros como torres,
como árboles amargos que lo entierran,
como golpes de piedra en las rodillas.

Tu propia herida se cura con llanto,
tu propia herida se cura con canto,
pero en tu misma puerta se desangra
la viuda, el indio, el pobre, el pescador,
y el hijo del minero no conoce
a su padre entre tantas quemaduras.

Muy bien, pero mi oficio
fue
la plenitud del alma:
un ay del goce que te corta el aire,
un suspiro de planta derribada
o lo cuantitativo de la acción.

Me gustaba crecer con la mañana,
esponjarme en el sol, a plena dicha
de sol, de sal, de luz marina y ola,
y en ese desarrollo de la espuma
fundó mi corazón su movimiento:
crecer con el profundo paroxismo
y morir derramándose en la arena.

 Memorial de La Isla Negra (Pablo N)

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Capadócio



Venho com sorte redescobrindo o Brasil.
Descobrindo Villa-Lobos, brasileiro Lobos, europeu compositor Villa, Carioca Lobos...
"O folclore? eu sou o folclore!"

Afiram com disposição, uma vez que o trato de se abrasilizar ao maximo lhe veio não por ocaso ou por tendencia, mas por instinto, por lucidez. E teve do Brasil dos idos das suas primeiras décadas dos 900 muito, e muito a pé e com fé.
Se hoje me furto em fazê-lo de ônibus, carro, avião ou que quer que seja, e nem com todas as paginas da internet chego perto... magina lá, magina o que...

Villa transcendeu o brasileiro.

Villa alcançou o Brasil.

Pedaço de terra, pedaço de Terra.

Ele ouviu o chão, ouviu a água, o pássaro, o "leão", ele ouviu o peixe e a comida, o camponês e seu cigarro, a mato crescendo do chão e o sol, sim... o Sol que malha a Terra e seus convives no tocar de todos os sons.

Ter com Villa, só hoje faz sentido. Poderia escrever linhas e linhas de saberes que desbravo a cada dia na sua vida, a cada dia no seu fazer, a cada som que nos largou por ai... e espero que eu tenha tenacidade para fazê-lo quanto antes, mas por ter sido perdido entre sons, notas, escritos, pautas, cerimonias, historias contadas por outros e por ele mesmo, audições, leituras mentais, re-arranjos, tocadinhas na viola, no piano, no violão, no acordeom, no apito, na sanfona, no teclado, na palma da mão, no estilingue... por ter sido tamanhamente discplicente em gozar o tempo todo do aprender com Villa...

Villa-Lobos era gente de ir
Assim espero ter entendido direito as coisas...
E registro meu desenfreado desconfiar de todos os dias. 21/08/2015.




Bom, deixo o relato de Ferreira...

"...Não escrevi essa letra pensando que ela um dia seria gravada; escrevia-a porque aquela reversão da lembrança foi um fator a mais de emoção, um choque mágico, que se incorporava ao poema. Por isso, pus ali uma indicação meio irônica: "Para ser cantada com a "Bachiana nº 2", "Tocata'". Mas surgiu alguém que levou a sério a indicação." (2009, Folha de SP)

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Toca do Lagarto pisada de homem

Um resto de um toco
Emaranhado de rios
Esmaeceu

Tava lumiado de lampejo
Pensativo
E a coisa toda parecendo num momento após ter acontecido de fao

Um lagarto escondido no oco deixou de tocaia
Havia até um arcabuz
Uma dedada de siriema tocando bugio pro mato

Um resto de toco
Um enrrosco
Um puxadinho

Entre o mato e a casa tinha um pouco
Mas na bera d'agua é que travava o pé do homem
Parecia olhando

Estranho como a lua confunde a luz do lumiado
Estranho...
Todo mundo sabe da importança do lumiado... porque lua quando nao da pexe nao presta!

Um resto de toco
Um descanso
Uma luz

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Flor de Maio

Não é toda hora que eu quero falar
Nem toda hora que eu quero pensar
Não é toda hora que eu quero entender
Não é toda hora que quero dizer

Não é toda hora que quero você
Não é toda hora que quero aceitar
Nem toda hora que penso em prazer
Não e toda hora que quero gozar

E não é toda hora que o céu é azul
Não é toda hora que eu quero olhar
Nem toda hora há Lua no céu
Nem toda estrela reflete no mar

E não é toda hora que quero viver
Não é toda hora que quero sonhar
Não é toda hora que penso em morrer
Nem toda hora preciso acordar

Não é toda hora que eu quis naiscer
Nem toda hora que quis vagar
Não é toda hora um amanhecer
Não é toda hora de descansar

Não é toda hora de ser quem ser
Não é toda hora um vislumbrar
Não é toda hora o entardecer
Nem toda hora será ao mar

E não é toda hora
Mas e toda hora
Que não é toda hora


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Só trabalhador

Trabalhei, trabalhei, trabalhei!
Trinchei ferro, colhi madeira!
Escrevi um fado só de mão!
Talhei gravura, sorvi o tempo . . .
Destrinchei meu pró-violão!

Trabaio, traba'ionesto!
Calejei j'uêi-inté mão!
Torrei áci e inte peguei 'spinho,
Pra dizê que stava tão bão!

Fui d'incontro de redemoín,
Joguei véla pra um par de oração!
Cativei e vi gente mesquin'
Mas dei braço pra té cô tição

E vernizei.. ai ai.. vernizei...
Má vernizei muito do que pensei
Vernizei que fiz pô!!
Só que meu irmão,;

Vernizei poeira.

VERNIZEI !

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Traduzir o que?

"And it's a very big shame when something is finished and then people want you to translate it back in the words." (David Lynch)

Muitas vezes todo mundo fala a mesma coisa...

Discurso dos que discursam

Minhas Senhoras; meus senhores.

Eu gostaria de começar esta conversa
Com bastante desleixo.
Gostaria de dizer nada, a quem nada sempre me disse. 
Gostaria de deixar claro, absolutamente todas as coisas que pouco importam.
E destratar, a você, que sempre me destratou.

Com pouca sabedoria, falarei sempre sobre ciência. 
Deitarei versos estúpidos para a arte.
Não, não esquecerei de todos vocês, filhos do povo, que merecem absolutamente tudo aquilo que já tem. Que farei o prazer de dar, usando minhas mãos e a riqueza de outros.

Minha postura, que foi sempre desaconselhada por amigos, conselheiros e auxiliares, não esclarece nada.
Prossigo deixando de fazer aquilo que jamais fiz. Continuo ausente de todos os espaços que pouco tenho frequentado. E nada digo, porque, com acalanto divino, com a fé em mim depositada, tendo como outros, mais ouvidos do que bocas, cumpro meu dever onírico, cujo afinco nunca pratiquei.

Você pode estar pensando:
E é exatamente este o X de alguma questão, que não esta que venho deixando de esclarecer.
Meu desejo seria ou não arguir todas as palavras inúteis, a fim de ocupar-me de algo completamente dispensável.
Cuidem, meus amigos, daquilo que costumam cuidar, e assim sejam sempre improfícuos diante de toda novidade que lhes acometer.

Direi todos os dias a palavra não. Pois ela significa algo que pouco me importa.
Darei todo o assessoramento aos que já o tem, pois assim sempre serei mais um ineficaz assessor de coisas úteis.
Farei com que nada retroceda, e que tudo deixe de progredir. Serei tão pouco estanque quanto me aprouver.
Porei os pingos nos u's, pois já que a trema é infecunda na nossa linguagem, deve servir para alguma coisa que pouco me interessa.

E dessas coisas, que servem ou não, falarei todos os dias, se desejar, pois a elas pouco pertence nosso futuro.
Estarei para o pão assim como a rocha esta para alguma coisa. Do pão tirarei meus argumentos para dizer sempre o mesmo.
Deixo escapar o sentido nas coisas que nunca o tiveram, e não tento arrumar coisa nenhuma.
Povo brasileiro, sois retumbante no que nada importa, e assim far-me-ei vosso, pois do teu ventre filho sou.
E acerto ao dizer todas as coisas, como cobaia do novo alvorecer que muito ou nada consome num farfalhar que rebuliça esterilidade.

Estático, estético...

Este sou eu,

Ou não.
 

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